sexta-feira, 30 de maio de 2014

Cristãos Modernos Falando em Línguas Estranhas?

Por Robson de Andrade Neves
Advogado em São Paulo, Pós-Graduado em Direito Constitucional e Administrativo, Palestrante e Membro da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos Advogados em São Paulo.

No Antigo Testamento é possível perceber severa exortação sobre os profetas e sacerdotes de Efraim, que tinham sobre seus lombos a responsabilidade das coisas do alto, sobretudo a orientar o povo acerca da vontade de Deus para o bem geral.

A soberba dos profetas e sacerdotes que andavam errantes nas visões e no juízo por causa da bebida forte fez com que o Senhor tecesse fortíssimas palavras contra eles, as quais podem ser vistas do livro de (Isaias 28):

“Ai da coroa de soberba dos bêbados de Efraim, cujo glorioso ornamento é como a flor que cai, que está sobre a cabeça do fértil vale dos vencidos do vinho. Eis que o Senhor tem um forte e poderoso; como tempestade de saraiva, tormenta destruidora, e como tempestade de impetuosas águas que transbordam, ele, com a mão, derrubará por terra. A coroa de soberba dos bêbados de Efraim será pisada aos pés. E a flor caída do seu glorioso ornamento, que está sobre a cabeça do fértil vale, será como o fruto temporão antes do verão, que, vendo-o alguém, e tendo-o ainda na mão, o engole. Naquele dia o Senhor dos Exércitos será por coroa gloriosa, e por diadema formosa, para os restantes de seu povo. E por espírito de juízo, para o que se assenta a julgar, e por fortaleza para os que fazem recuar a peleja até à porta. Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo. Porque todas as suas mesas estão cheias de vômitos e imundícia, e não há lugar limpo. A quem, pois, se ensinaria o conhecimento? E a quem se daria a entender doutrina? Ao desmamado do leite, e ao arrancado dos seios? Porque é mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali. Assim por lábios desconhecidos, e por outra língua, falará a este povo. Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir.”

Da passagem acima, percebe-se que os profetas e sacerdotes utilizavam de métodos bastante formalistas para orientar e julgar as causas cotidianas do povo, a letra, as regras e a utilização do silogismo textual (um pouco aqui um pouco ali), foi fortemente combatido pelo Senhor, pois, no lugar da revelação divina das escrituras, utilizavam do método morto e pouco espiritual da letra fria da lei por causa dos efeitos da bebida forte, o que era considerado terrível aos olhos do Senhor pela ausência da inspiração divina.

Imbuído de revolta face aquele desastroso cenário encontrado pelo Senhor, em que os profetas e sacerdotes viviam errantes na condução do povo de Efraim, por ocasião da bebida forte, que ao invés da inspiração e revelação divina se utilizavam do conhecimento formal para profetizar e ensinar o povo, Isaias então profetiza que no futuro se ouviriam até mesmo falar em línguas desconhecidas e outras línguas, a ver aquele método carnal utilizado pelos representantes de Deus em Efraim.

Essa profecia foi cumprida nos livros de (Atos 2 e 1 Coríntios 1:14), onde se identifica que homens e mulheres receberam um “dom” ou a capacidade de falar em línguas desconhecidas e em outras línguas, conforme será melhor contextualizado no decorrer deste trabalho.

O primeiro evento que cumpriu aquela profecia de (Isaias 28) ocorreu em Pentecostes, poucas semanas após a ressurreição de Jesus Cristo, sendo que naquele dia, cerca de 120 discípulos de Cristo “ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas” e todos que estavam ouvindo os pregadores, inclusive aqueles visitantes de outros países ficaram perplexos, pois ouviam falar em suas próprias línguas. (Atos 1:15 e 2:1-6).

"1. E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; 2. E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. 3. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. 4. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 5. E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. 6. E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? 8. Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? 9. Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Asia, 10. E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, 11. Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. 12. E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? 13. E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. 14. Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. 15. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia.  16. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: 17. E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos sonharão sonhos; 18. E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão [...]."

Cabe aqui um esclarecimento de extrema importância para a compreensão do tema. No contexto de Atos dos Apóstolos, em especial no evento de pentecostes, é possível perceber que Pedro e os outros apóstolos estavam pregando o evangelho aos “gentios” e aos “não convertidos”, e dentre eles, diversos visitantes estrangeiros, que ficaram perplexos por ouvir a pregação em suas próprias línguas.

O falar “em outras línguas” se revelou importante apoio divino para o crescimento do evangelho, sobretudo para que os incrédulos cressem (1 Coríntios 14:22), pois, o milagre de falar em outras línguas era uma indicação de que os cristãos tinham a aprovação e o apoio de Deus.

Assim, a ordem de Jesus aos seus apóstolos de que “deveriam fazer discípulos em todas as nações” (Mateus 28:19 e Atos 1:8) só seria possível por ocasião do milagre de falar em outras línguas, ou em outros idiomas.

Isso porque, muitos daqueles cristãos eram “indoutos” e “comuns” (Atos 4:13) e se não fosse o milagre de falar em outras línguas, como poderiam pregar em lugares distantes onde se falavam em outros idiomas que talvez jamais tivessem ouvido? Por isso, que no evento de pentecostes o Espírito Santo concedeu a alguns o “dom” milagroso de pregar com grande influência em idiomas que eles nunca tinham aprendido.

Veja, portanto, que a compreensão do texto de (Atos dos Apóstolos) não se refere em falar em “línguas desconhecidas”, mas falar em “outras línguas” ou outros idiomas, com o fim de indicar o apoio divino e conversão dos incrédulos pela ocasião do milagre. Diferentemente da contextualização de (1 Coríntios 14), em que o apóstolo Paulo exorta a Igreja para que utilizem o "dom" de falar em "línguas desconhecidas" com a finalidade exclusiva de sua edificação, e não de pregação, conforme se passa a demonstrar.

Na ocasião, o apóstolo Paulo falava a congregação cristã em Corinto sobre o assunto de falar em  “línguas desconhecidas", ele estava exortando a Igreja, ou os já convertidos para que abundassem neste "dom" e, em experiência individual, buscassem uma maior intimidade com Deus pela ocasião de falar em "línguas desconhecidas" para que resultasse numa pregação do evangelho, verdadeiramente, edificante a Igreja, não mais baseado em conhecimento humano, como ocorreu em Efraim, mas por palavras entendíveis e inspiradas pelo próprio Criador, como pode ser observado: 

“1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. (1 Coríntios 13:1) 2 Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. 12 Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja. 13 Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar. 15 Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. 26 Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. 28 Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus. 39 Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas.”

Uma primeira observação se faz quando, ao orar em línguas desconhecidas, inteligíveis, ou dos anjos, fala-se coisas das quais a inteligência humana é incapaz de compreender. Assim como orar em espírito, é falar com Deus e a alma que é inferior também não entende (Teoria dualista).

Do texto acima, verifica-se que o apóstolo Paulo ensina, sobretudo, que o falar em língua desconhecida decorre de uma íntima relação com Deus, no momento da busca pelo Espírito Santo por meio da oração, momento este particular do fiel que servirá para edificação da Igreja através de uma pregação inspirada pelo próprio Deus, conforme consta do livro de (Romanos 8:26) que afirma que o “Espírito Santo intercede por nós em razão de não sabermos expressar como convém.”

Ainda, em (Tiago 3:8) pode ser observado que “nenhum homem pode controlar a língua”, a não ser que seja batizado com o Espírito Santo, quando então manifestará os frutos do Espírito, inclusive o domínio da língua (Gálatas 5:19 a 22).

Assim, se o Espírito Santo nos ajuda a dominar a língua, certamente num momento de íntimo relacionamento com Ele se fará possível à fala de uma língua inteligível, língua essa denominada pela própria bíblia que é dos anjos (1 Coríntios 13:1).

Diferentemente do que muitos afirmam, o falar em língua desconhecida, em nada tem a ver com a pregação do evangelho, trata-se de um “dom” não estendido a todos, mas apenas aqueles que se elevam de tal maneira na oração e adoração a Deus, quando o próprio Espírito Santo o santifica através do milagre de falar em língua dos anjos (1 Coríntios 14:12).

Portanto, é importante observar que todos os dons do Espírito Santo, ou milagres, só acontecem aos que creem, pois aqueles que racionalizam as coisas do alto, sem, no entanto, praticar a fé, deixam de experimentar e se maravilhar das coisas sobrenaturais, como ocorreu na cidade de Nazaré, cidade de nascimento de Jesus "E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles" (Mateus 13:58).

Nessa passagem, apesar de reconhecerem, de certa forma, o poder de Jesus naquele lugar (Mt. 13:54 e 55), não O deram a devida honra e nem creram verdadeiramente Nele, antes preferiram se escandalizar com a forma que Jesus pregava e praticava a fé, ridicularizando-O a ponto até mesmo de criticá-lo: "E escandalizavam-se Nele. Jesus porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra e na sua casa" (Mt. 13:57). 

Ora, não é isso que acontece atualmente com os incrédulos? Até mesmo com os pseudo cristãos geladeira? Que não praticam a fé, mas gastam tamanha energia para criticarem e ridicularizarem os ministérios praticantes da fé sobrenatural? Que ridicularizam os cristãos que creem, por exemplo, no "dom" das línguas celestiais?

O próprio apóstolo Paulo, não obstante exortar a Igreja para que fossem discretos na congregação quando falassem em línguas desconhecidas, jamais proibiu os fiéis de buscarem referido dom (1 Corintios 14:39).

Quem um dia teve a experiência de falar em língua desconhecida por ocasião da intercessão do Espírito Santo não pode se considerar mais espiritual ou mais santo do que os demais que ainda não experimentaram do referido dom, considerando que até mesmo o diabo também pronuncia a língua dos anjos.

Deus age com propósitos e Ele sabe por que algumas pessoas falam em línguas desconhecidas e outras não. Deus é soberano e Ele opera como bem quiser e quem somos nós para questionar o direito dos dons.

Por fim, apenas para arrematar a ideia de que existe sim na Igreja Moderna o dom de falar em línguas desconhecidas ou a língua dos anjos, é a refutação da tese contrária pela própria compreensão do texto bíblico em (1 Coríntios 14:13), senão vejamos: “Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar.”

Assim, a revelação das línguas celestiais, ou desconhecidas só podem ser compreensíveis por meio exclusivo da oração (“ore para que possa interpretar”) e não por meio de estudo, pois, do contrário, o apóstolo Paulo mandaria os agraciados pelo “dom” de falar em “línguas desconhecidas” a frequentarem uma escola de idiomas da “fisk” na Galiléia e não a orarem para sua compreensão. Portanto, que os incrédulos de plantão pensem nisso! 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Jesus, o Legítimo Intérprete da Lei

Por Robson de Andrade Neves
Advogado em São Paulo, Pós-Graduado em Direito Constitucional e Administrativo, Palestrante e Membro da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos Advogados em São Paulo.

Muitos se digladiam em debates teológicos acerca de qual seria o compêndio de ensinamento para o cristão moderno depois do Novo Testamento.

Uns afirmam que toda a bíblia deve ser observada e que o Novo Testamento não anula o Velho Testamento; que as leis e mandamentos de Deus não foram abolidos por Jesus; outros ainda afirmam que se deve observar apenas o Novo Testamento como regra de fé e salvação, enfim, são diversas as teses, das quais, nenhuma, na minha concepção, aproxima-se daquela que mais se harmoniza teologicamente com toda a escritura, a de que Jesus é o único intérprete da lei. Entenderão mais adiante.

Todos os que viveram na regência do Antigo Testamento deviam observância às leis e mandamentos de forma a se orientar sobre o comportamento que deveria ser adotado nos mais diversos acontecimentos da vida cotidiana. Eram 613 mandamentos ao todo, positivos e negativos, incluindo o decálogo, que de acordo com o judaísmo constavam do Torá (os cinco livros de Moisés).

A ordem de que o povo deveria observar as leis e mandamentos a fim de se justificarem foi dada pelo próprio Deus, senão vejamos: “Vocês terão a mesma lei para o estrangeiro e para o natural da terra. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês".(Levítico 24:22).

E assim Moisés também ensinava ao povo: "Eu ensinei a vocês decretos e leis, como me ordenou o Senhor, o meu Deus, para que sejam cumpridos na terra na qual vocês estão entrando para dela tomar posse.” (Deuteronômio 4:5). Ainda, nesse mesmo sentido: “E, se nós nos aplicarmos a obedecer a toda esta lei perante o Senhor, o nosso Deus, conforme ele nos ordenou, esta será a nossa justiça”. (Deuteronômio 6:25).

Bom, até aqui não restam dúvidas sobre o império das leis e mandamentos sobre o povo de Israel no Antigo Testamento, que tinham como justiça cumpri-las, conforme respaldo da literalidade dos textos apresentados em linhas anteriores.

Então houve o desenvolvimento da estória e do povo de Israel e, por volta do inicio do primeiro século (Mateus 2:1), nasce o “Cristo”, denominado “Jesus” pelos cristãos, pela crença de que Ele é o messias da bíblia hebraica. 

Cerca de 30 anos de idade, Jesus então é legitimado pelo próprio Deus para pregar a Sua palavra ao povo de Israel, essa solenidade espiritual consta do livro de (Lucas 3:21 a 23), a saber: “Quando todo o povo havia recebido o batismo, tendo sido Jesus também batizado e estando a orar, o céu abriu-se, e o Espírito Santo desceu como pomba sobre ele em forma corpórea, e veio uma voz do céu: Tu és o meu Filho dileto, em ti me agrado. Ora o mesmo Jesus, ao começar o seu ministério, tinha cerca de trinta anos, sendo filho (como se julgava) de José, filho de Heli.”

A finalidade e a justificativa da vinda de Jesus é outro tema bastante debatido, pois se as leis e mandamentos eram bons, por qual razão Deus sacrificou o seu único filho para, novamente, renovar a aliança com seu povo e resgatá-los da perdição? Será que as leis e os mandamentos não foram suficientes para salvá-los?

Em certa ocasião, os apóstolos Paulo e Barnabé tiveram uma grande discussão sobre a forma que deveriam evangelizar o povo, se deveriam ensinar a circuncisão e a observância da lei ou apenas o que Jesus ensinou, parece uma tremenda contradição, pois como dizer que Jesus ensinou outra coisa que não o que estava escrito nas leis e mandamentos? Como poderiam estar discutindo o que ensinar e como ensinar se Jesus ensinou tão somente aquilo que todos já sabiam? Em (Atos 15:1 e ss) o apóstolo Pedro nos dá uma leve noção das razões da discussão e, na mesma ocasião, chancela a primeira ata da Igreja de Cristo, vejamos:

“E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Homens irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem. E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós; E não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também. Então toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios.”  (Atos 15:7-12).

Bom, parece que as razões da vinda de Jesus estão bem claras no texto acima. Os antigos não puderam cumprir com o “JULGO”, diga-se, mandamentos e leis estabelecidos para a justificação do povo de Israel.

Mas então Jesus veio para abolir os mandamentos e as leis estabelecidos anteriormente por Deus? É o que parece no discurso do apóstolo Pedro e, aqui, está um tremendo erro cometido por muitos de contextualização do evangelho ensinado por Jesus, pois Ele mesmo afirma que veio para cumpri-los. “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir." (Mateus 5,17.18).

Bom, conforme demonstrado, Imperioso salientar que Jesus foi LEGITIMADO pelo próprio Deus para ensinar o seu povo, assim, todos os mandamentos e leis, de ordem morais e postas, necessariamente passariam pelo Seu crivo, com o objetivo de efetivamente INTERPRETÁ-LOS a fim de que o seu povo viesse a cumprir o que Deus então havia ordenado anteriormente.

Ocorre que muitos ministros religiosos, sem a devida observância dessa revelação, ainda continuam ensinando a Igreja como se Jesus e o Novo Testamento nunca tivessem existido, tal fato é percebido quando a palavra de Deus é interpretada ainda de forma retrógrada e quando analogamente sem a devida indicação de que Jesus ratificou tal entendimento no seu evangelho.

Todos aqueles que abrem o Velho Testamento para ensinamento da Igreja atual ou para se alimentar espiritualmente, sem, no entanto, encontrar o respectivo entendimento de Jesus no Novo Testamento, incorre em grave erro de interpretação, de proporções trágicas imensuráveis.

As leis e mandamentos, por tanto, não foram revogados ou anulados por Jesus, mas interpretados corretamente para que o povo de Israel as cumprissem, não obstante, muitos ainda não têm fé para creem, pois incorre em mudança de comportamento que, para muitos, é inconcebível face os dogmas aprendidos.

Veja que o próprio Deus determina que se ouça somente a Jesus, pois somente Ele é capaz de ensinar todos os mandamentos e leis em forma de conselhos para a Igreja, composta pela maioria de gentios, conforme observado nos apontamentos abaixo:

(Mateus 17) “1 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. 2 E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3 E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. 4 Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias. 5 Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. “

Nessa passagem, podemos observar a representatividade do Velho Testamento na pessoa de Moisés e Elias, aquele representando a lei e este representando as profecias. Pedro, emocionado e levado pelos sentimentos queria montar tendas para ambos com o objetivo claro de ouvi-los, mas uma voz intrépida veio dos céus, do próprio Deus, determinando que se ouvisse somente a Jesus.  

Fica claro, portanto, que a interpretação e o compêndio de ensinamento da Igreja somente podem ser aprendidos em Jesus, o velho testamento também deve ser observado, pois também não foi anulado por Jesus, mas com o objetivo apenas de nos espelharmos e nos encorajarmos nos antigos para a pratica da fé, os quais foram bem sucedidos em tudo que fizeram, conforme (Hebreus 13:7)  “Lembrem-se dos seus líderes, que transmitiram a palavra de Deus a vocês. Observem bem o resultado da vida que tiveram e imitem a sua fé.”

Assim, toda a palavra de fato é inspirada por Deus, sendo ela transmitida de várias formas ao seu povo e, por último, por Jesus, o qual tem toda legitimidade para interpretá-la e ensiná-la e, o que passar do entendimento por Ele ensinado, resulta em heresias e religiosidade, conforme pode ser observado do livro de (Hebreus 1:1), a saber: “1 Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, 2 mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo.”

Além disso, é ensinado que toda doutrina da Igreja deve ser aprendida nos ensinamentos dos apóstolos, mártires de Jesus, senão vejamos: “41 Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas. 42 Eles se dedicavam a doutrina dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.” (Atos 2:36 e ss).

Ante todo o exposto, sem muitas delongas pelo que fica mais que demonstrado que Jesus é o único intérprete da lei, que os mandamentos e as leis não foram revogados, muito menos o Antigo Testamento, restando clarividente que o cumprimento da lei e dos mandamentos ainda estão vigentes, conquanto sejam interpretados unicamente pelo Mestre, coadunando ou não com as doutrinas arcaicas dos legalistas de plantão. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Deus e o Dinheiro

Por Robson de Andrade Neves
Advogado em São Paulo, Pós-Graduado em Direito Constitucional e Administrativo, Palestrante e Membro da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos Advogados em São Paulo.

Muitos se perguntam, por que Deus sendo dono do ouro e da prata permite uns terem tanto dinheiro e outros passarem fome sem ter sequer condições de comer dignamente?

Simples, por causa da sua justiça! A simplicidade da resposta causa indignação e descrença de muitos e, isso, não é novidade.

A acomodação e a ociosidade fazem parte da vida de muita gente que permanecem numa “zona de conforto” preferindo sempre manter o certo a se arriscar pelo duvidoso, pensamento típico de quem nasceu para ser calda e não cabeça.

O temor ao futuro duvidoso faz com que as pessoas permaneçam no mesmo lugar por vários anos, “quem não arrisca não petisca” jargão popular, mas de grande efeito na vida dos grandes empreendedores que sempre adotam as crises como oportunidades de riqueza e o risco como princípio do sucesso.

A verdade é que a vida boa foi feita somente para os corajosos que realmente tem coragem de perseguir e encontrar o seu talento, pois o trabalho desde os tempos primórdios é coisa de fraco e desajustados com a vida errante que levam.

Na antiga Grécia o virtuoso que encontrava o seu talento encontrava a alegria e o verdadeiro sentido da vida desejada pelo divino, diferentemente do trabalho, considerado pelos sábios da época coisa de pessoas errantes, infelizes e sem futuro algum. 

Tudo é uma questão de decisão, ou se escolhe pela busca do talento ou pelo trabalho. Encontrar o talento demanda riscos, desassossegos, inquietações e inconformidades com a “zona de conforto” a que sempre se encontram os proletariados, diferentemente do trabalho que gera sentimentos completamente avessos aos citados em linhas anteriores.

Na mudança do pensamento grego para o cristianismo veio a parábola dos talentos relatado na bíblia (Mt 25.15), três homens ganham quantidades diferentes de talentos (e responsabilidades) segundo as suas capacidades. “A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu.” O interessante é que ninguém recebeu pouco. Apesar de talentos diferentes, todos receberam talentos. Mesmo o que recebeu apenas um talento, recebeu algo precioso e de muito valor e podia fazer esse talento frutificar e não o fez!

No acerto de contas vemos que aquele senhor se alegra com os servos que multiplicaram o talento que receberam, sem distinção. O que recebeu menos foi honrado do mesmo jeito que o que recebeu mais. O que o senhor viu foi à fidelidade no uso daqueles talentos: “Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” (Mt 25.20-21).

Todos os três homens que receberam talentos foram cobrados pelo que fizeram com eles. Receber talentos é também receber responsabilidades. O último, apesar de ter apenas conservado o seu talento, recebeu dura cobrança por não tê-lo multiplicado. O senhor foi severo com ele, tirando dele aquele talento: “Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? (…) Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez.” (Mt 25.26, 28).

Veja, portanto, que a decisão de ter uma vida boa está nas suas mãos e não na de Deus que já te deu o talento, bastando apenas você encontrá-lo e desenvolvê-lo! Invista em você! Sacrifique pelos seus ideais, seus projetos, não somente exista, mas viva intensamente a vida dos grandes sentindo as emoções dos riscos e as alegrias das conquistas. Você é dono do seu destino, nunca se esqueça que o futuro a ti pertence!

No filme “Nelson Mandela”, me chamou a atenção uma cena em que ele se encontrava na cela a ponto de jogar a toalha e desistir de tudo, então ele conseguia forças se alimentando do seguinte poema: "Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma".

Você é o maestro do seu destino. Veja o que está sendo plantado hoje e você terá uma noção de como será o seu amanhã. O livre arbítrio é teu, escolhe-se pelo sacrifício das lutas, das tentativas muitas vezes frustradas ou pela comodidade do trabalho resultante de uma mesmice insuportável. 

Apesar do trabalho dignificar o homem ele não é da vontade Divina. O trabalho sempre foi coisa de pessoas que não encontraram o talento que Deus lhe dera. Na mudança do pensamento Grego para o Cristianismo, tal fato foi ratificado com a parábola dos talentos que perdura até os dias atuais. Não esqueça! "Você é o senhor do seu destino"! 


Se você quer um amanhã melhor não tem outra solução, você tem que agir! O desassossego tem que fazer parte da sua vida com vistas a encontrar o talento que Deus lhe dera. Deus é justo e a parábola dos talentos é ordem expressa para você sair da toca ou da "zona de conforto" para conquistar o sucesso. Não existe uma mágica para a vida boa, o que existe é o desenvolvimento das virtudes humanas da coragem, persistência e da fé! Como dizia Aristóteles: "Toda virtude e toda técnica nascem e se desenvolvem pelo seu exercício". A bem da verdade é que a boa vida sempre foi coisa para corajosos, restando apenas a mísera sobrevivência àqueles que enriquecem os talentosos com os trabalhos de suas mãos.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ecumenismo como um Sistema Universal Democrático

Por Robson de Andrade Neves
Advogado em São Paulo, Pós-Graduado em Direito Constitucional e Administrativo, Palestrante e Membro da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos Advogados em São Paulo.


A ideia da pluralidade de pensamentos e crenças tem origem histórica desde os primórdios da sociedade antiga, sistemas antigos existentes no seio da sociedade como o ecumenismo já personificava um acanhado sistema de tolerância e pluralidade de pensamentos por parte dos poderes da época, não obstante a sua conceituação ter se distanciado e muito de sua compreensão originária no decorrer da história.

Originalmente a palavra ecumenismo era entendida pelos gregos a partir de duas palavras substantivos, quais sejam: (oikos), cujo significado é habitação, casa, família, habitantes de casa, descendência, estirpe, vivenda, povo ou aposento e (meno), cujo significado é: ficar, permanecer, esperar, persistir, continuar a ser, a existir, a substituir. [1]

Nesse sentido, é possível perceber que o significado da palavra ecumenismo, até então, era empregada para sistematizar [2] pacificamente a existência da diversidade humana, resultante das crenças, dos pensamentos e até mesmo de comportamentos de um determinado povo da época, circunscritos em um determinado território, referida ideia era amplamente disseminada pelos filósofos gregos (Heródoto, Demóstenes e Aristóteles).

O ecumenismo, portanto, era empregado pelos gregos com o objetivo de demonstrar ao mundo o domínio dos helênicos[3] dentro dos seus limites territoriais demarcados, significando que aquela parte da terra era dominada e habitada pelo povo grego.

Com o caminhar do desenvolvimento histórico, referido termo passou a designar o império de Alexandre o Grande, a partir do século IV, que demarcara os territórios gregos até as margens do Egeu e às margens do Rio Indo. [4]

O ecumenismo, como compreensão de um sistema pacífico interno de um povo pluralista e subordinado ao poder regente, também foi utilizado por Roma, para descrever o seu domínio (Lc 2.1)[5] mundial do ponto de vista político-ideológico sob o crivo da Pax Romana. [6]

A partir de Roma, o sentido do ecumenismo já não podia ser mais entendido como um sistema de união pacífica da pluralidade de um povo, isso porque, a Pax Romana [7] não tinha qualquer pretensão de unir pacificamente os diferentes, mas, compreendia-se a expansão de seu império sobre os povos vencidos dentro de uma ordem nos limites do domínio, que simbolizada a própria força de guerra face às invasões bárbaras e insurreições dentro do território imperado. [8]

Avançando na historia da sociedade, o ecumenismo como um sistema religioso paralelo de transformação em uma única unidade pacifica da pluralidade de crenças, passou a ganhar novos contornos democráticos, sobretudo depois da constituição da Aliança Evangélica em Londres, em 1846, com entidades das mais diversas liturgias, cujo propósito fora a constituição do “Concílio Ecumênico Evangélico Universal”.

O fundador da Cruz Vermelha [9], um dos pioneiros da Associação Cristã dos Moços, Henry Dunant, pregava que essa associação tinha que ser “ecumênica” devendo propagar o espírito ecumênico transcendente a nacionalidade, língua e denominações em questões eclesiásticas, classe e a profissão [10], sendo referido objetivo surreal diante das novas perspectivas.

Mas somente com o advento das discussões de “Fé e Constituição” e “Vida e Ação” é que o significado ao termo “ecumenismo” chegará à compreensão adotada dos dias atuais. [11]

Nathan Soderblon,[12] arcebispo luterano, durante a primeira Guerra Mundial, semeou a ideia de uma reunião internacional de entidades religiosas de cunho estritamente ecumênico para discussão de diversas temáticas, com o objetivo principal de promover e resolver definitivamente a paz mundial no que tange as guerras santas e religiosas espalhadas mundo afora.[13]

Mais para frente o ecumenismo apresentará uma nova concepção resultante de uma relação amistosa entre entidades religiosas espalhadas no mundo a fim de resolver definitivamente a paz religiosa mundial. [14]

O ecumenismo somente passou a se tornar tema com grandes discussões a nível mundial na Conferência de Estocolmo, em 1925, com concessão plena dos alemães, franceses e suecos, não obstante a resistência dos ingleses que ainda mantinham a compreensão de concílios ecumênicos.

Mas somente após a Conferência de Oxford, em 1937, é que o ecumenismo passou a ser compreendido mundialmente como a unificação de todas as denominações religiosas mundiais para formação de uma Igreja Una e Santa. [15]

Observa-se que o Conselho Mundial das Igrejas, fundado em Amsterdã, em 1948, passou a ser um sistema de ingerência para inclusão religiosa internacional, com designação do Conselho Mundial de Igrejas, tem como objetivo principal a reconciliação das mais diversas denominações religiosas espalhadas no mundo para “universidade do cristianismo para que o mundo creia”.

O ecumenismo como um sistema poderoso de inclusão e unificação internacional de igrejas separadas, mas unidas por laços embrionários reconstruídos pela aderência ao sistema, constitui-se verdadeiro sistema democrático da diversidade religiosa protegida pela unidade “ecumênica” com objetivos claros de pacificação religiosa em um único sistema pacificador do dissenso.

O Conselho Mundial das Igrejas mostrou que seu objetivo principal é a unificação pacífica de todas as religiões do mundo, um sistema que foi criado, não por mera coincidência, em 1948, ano da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, impulsionado pela eclosão da II Guerra Mundial, que fez avançar discussões sobre a paz mundial focado na individualidade das escolhas, sobretudo da liberdade religiosa.

Lá em 1910, na Conferência Missionária de Edimburgo, na Escócia, já se tinha tematizado fortemente o direito a liberdade religiosa. Depois, na primeira assembleia de fundação ocorrida em Amsterdã, na Holanda, agora em 1948, o Conselho Mundial de Igrejas reiterou os diversos apontamentos ao reconhecimento dos Direitos Humanos, deixando claro que este tema é o cerne das questões para uma nova ordem mundial harmoniosa, justa e pacífica.

Veja, portanto, que a relação direta do poder democrático e de influência mundial do sistema ecumênico ficou patente, em 1948, com a intermediação do Dr. Frederik Nolte, o qual, posteriormente, tornou-se diretor geral da comissão do Conselho Mundial de Igrejas para assuntos internacionais, que juntamente com seus colaboradores, diplomatas e especialistas da ONU, ofereceu a formulação do texto sobre a liberdade religiosa, elaborada no na conferência do Conselho Mundial das Igrejas, ocorrido em Amsterdã, o qual foi integralmente aceita e finalizada na redação do art. 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que assim prescreve:

Artigo XVIII. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular (ONU, 1948).


Portanto, atualmente, o ecumenismo religioso, que reiteradamente é discutido nas conferencias mundiais, revela-se como um sistema poderoso de cooperação com as organizações internacionais para positivação dos direitos humanos, ele reconhece a pluralidade humana, incluindo aqueles que não professam qualquer tipo de fé, pois estes há tempo anseiam pela sistematização mundial para promoção da paz e convivência pacífica dos povos, em âmbito externo e interno.

Isso porque, a violação dos Direitos Humanos é percebida cada vez mais em razão da rápida globalização das economias mundiais. Acrescentemos a isso o aumento da diversidade de pensamentos, grandes conflitos internos resultante da crescente discriminação de grupos, do extremismo religioso e patriotismo demasiado em muitas nações.

O sistema ecumênico atual (http://www.oikoumene.org/en) conta com centenas de religiões aderentes espalhadas pelo mundo afora, cujo objetivo principal é a luta pela cessação dos conflitos religiosos, quer seja no campo das liturgias, doutrinas e até mesmo da fé.  

Percebe-se, portanto, o tamanho da responsabilidade que pesa sobre os ombros daqueles que se encontram comprometidos com a promoção e defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana em todos os aspectos de vida do indivíduo numa sociedade pluralista.




[1]  RUSCONI, Carlo. Dicionário do Grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 2003. p. 301-302.
[2]  Sistema: s.f. Reunião de princípios coordenados de modo a formar uma doutrina: o sistema filosófico de Descartes. Combinação de partes que, coordenadas, concorrem para certo fim. Forma de organização administrativa, política, social ou econômica de um Estado: sistema eleitoral francês. Dicionário online de Português:  http://www.dicio.com.br/sistema/

[3]  Domínio dos Helênicos: Designa-se por período helenístico (do grego, hellenizein – "falar grego", "viver como os gregos") o período da história da Grécia e de parte do Oriente Médio compreendido entre a morte de Alexandre o Grande em 323 a.C. e a anexação da península grega e ilhas por Roma em 146 a.C.. Caracterizou-se pela difusão da civilização grega numa vasta área que se estendia do mar Mediterrâneo oriental à Ásia Central. De modo geral, o helenismo foi a concretização de um ideal de Alexandre: o de levar e difundir a cultura grega aos territórios que conquistava. Foi naquele período que as ciências particulares tiveram seu primeiro e grande desenvolvimento. Foi o tempo de Euclides e Arquimedes. O helenismo marcou um período de transição para o domínio e apogeu de Roma. Esclarecimentos disponíveis no Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Per%C3%ADodo_helen%C3%ADstico
[4]  RUSCONI, 2003, p. 328; NAVARRO, 1995, p. 10; SANTA ANA, Júlio H. Ecumenismo e libertação. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 199. p. 17.
[5]  NAVARRO, 1995, P. 10.
[6]  SANTA ANA, Júlio H. Ecumenismo e libertação. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 199. p. 18.
[7]  A Pax Romana, expressão latina para "a paz romana", é o longo período de relativa paz, gerada pelas armas e pelo autoritarismo, experimentado pelo Império Romano que se iniciou quando Augusto, em [28 a.C.], declarou o fim das guerras civis e durou até o ano da morte de Marco Aurélio, em 180 d.C. Este termo enquadra-se historicamente nos dois primeiros séculos do Império Romano, instaurado em 27 a.C. por Augusto. Neste período, a população romana viveu protegida do seu maior receio: as invasões dos bárbaros que viviam junto às fronteiras, o limes. Pax Romana era uma expressão já usada na época, possuindo um sentido de segurança, ordem e progresso para todos os povos dominados por Roma. Tem maior expressão nas dinastias imperiais dos Flávios (68-96) e dos Antoninos (96-192). Plínio, o Velho realçava já a "imensa majestade da paz romana, essa dádiva dos deuses que parece ter trazido os Romanos ao mundo para o iluminar. Esclarecimento disponível em Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pax_Romana
[8]  GREEN, Michael. Evangelização na igreja primitiva. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 12-14.
[9] O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é um movimento internacional humanitário com aproximadamente 97 milhões de voluntários mundialmente. Seu objetivo é proteger a vida e a saúde humana, e prevenir e aliviar sofrimento humano, sem discriminação baseado em nacionalidade, raça, sexo, religião, classe social ou opiniões políticas. Esclarecimentos disponíveis no Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Internacional_da_Cruz_Vermelha_e_do_Crescente_Vermelho

[10]  NAVARRO, 1995, p. 11.
[11]  NAVARRO, 1995, p. 11.
[12]  Lars Olof Jonathan (Nathan) Söderblom (Söderhamn, 15 de janeiro de 1866 — Uppsala, 12 de julho de 1931) foi um teólogo protestante e arcebispo sueco. Recebeu o Nobel da Paz de 1930, por sua dedicação em prol do ecumenismo e da paz universal. Esclarecimento disponível no Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nathan_S%C3%B6derblom
[13]  NAVARRO, 1995, p. 11.
[14]  NAVARRO, 1995, p. 11.
[15]  NAVARRO, 1995, p. 11-12.

A Religião Cega o Homem


Por Robson de Andrade Neves
Advogado em São Paulo, Pós-Graduado em Direito Constitucional e Administrativo, Palestrante e Membro da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos Advogados em São Paulo.

É muito difícil entender a vida quando nos sentimos vazios ao acordarmos indispostos e desanimados para desenvolver as atividades mais comuns do dia a dia; igualmente diante da sucumbência daquele problema que parece ser tão maior do que nossas forças; ver a vida com bons olhos e evitar que o pessimismo e o ceticismo corroa nossa autoestima se torna muitas vezes ato impossível.


Encontrar respostas não é simples, quer seja para aqueles que se inclinam para alguma fé ou não. Para boa parte da humanidade as respostas estão no céu, pelos seus encantos, seu brilho, suas cores, finalidades e acomodações apregoadas.

Não obstante aos encantos do céu, suas formas de entrada variam de religião para religião, mas o que está implícito em todas elas é a necessidade que o ser humano possui de acreditar em uma força infinitamente mais poderosa do que ele e que acaba por colocá-lo a mercê de suas ideologias, muitas vezes escusas e que nada irá cooperar ao verdadeiro desenvolvimento espiritual.

Em nome das ideologias, dogmas e heresias muitas vezes não conferidas pelos fieis no livro da vida, desde tempos remotos, a civilização assistiu à realização das mais diversas tragédias humanas com perseguições religiosas ocasionadas pela intolerância religiosa.

Um exemplo interessante foi dado por Voltaire em “Tratado acerca da tolerância” ele discorre sobre a importância da tolerância como objetivo de se evitar tragédias religiosas ocasionadas pela comoção pública e fanatismo religioso, historia essa que foi brilhantemente narrada a partir de seu primeiro capitulo que fala de um homem bom, de nome Jean Calas, de 68 anos, negociante há mais de 40 anos na cidade de Toulousse, fato ocorrido em 09 de março de 1762.

Jean Calas foi sentenciado a expirar ao suplício da roda pela suspeita de ter enforcado seu filho, Marc-Antoine, por ter se convertido ao catolicismo, em processo arbitrário e injusto os magistrados o condenaram tendo como única fundamentação a comoção de uma sociedade intolerante e fanática.

Então, será mesmo que as respostas e a boa vida estão no fato de ser um intitulado religioso ou aderente de uma determinada religião? Será que a religião realmente conduz o fiel ao céu? Será que a oração de um religioso é ouvida pelo Divino? Ou será que o religioso consegue converter uma “alma perdida”? Vejamos.

O iluminismo tem grande culpa na atual compreensão do cristianismo, isso porque, grandes pensadores filósofos da época entenderam que a moral cristã era boa de ser adotada como prática de vida, não obstante os incansáveis estudos para racionalizar e afastar a fé.

Este movimento surgiu na França do século XVII e defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica que dominava a Europa desde a Idade Média, pois, segundo os filósofos iluministas, esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade que utilizava a fé como meio de crença no impossível.

Segundo aqueles pensadores, o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo (fé), que, segundo eles, bloqueavam a evolução do homem, que deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé.

O apogeu deste movimento foi atingido no século XVIII, e, este, passou a ser conhecido como o Século das Luzes. O Iluminismo foi mais intenso na França, onde influenciou a Revolução Francesa através de seu lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. Também teve influência em outros movimentos sociais como na independência das colônias inglesas na América do Norte e na Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil.

Veja, portanto, que o iluminismo ainda tem influenciado fortemente nas religiões atualmente. Muitas delas no lugar da fé procuram dar ensinamentos profundos da bíblia, com respostas baseadas nas mais diversas exegeses textuais, sem, no entanto, levar os fiéis a verdadeira pratica da fé; outras procuram agradar os fiéis com palavras doces e brandas com receio de perder posições em suas igrejas; outras exploram os clubes sociais das igrejas para exaltar o sentimento de amor e união nos corações dos irmãos; outras exaltam os grupos de louvor em cantorias bonitas mas baseados puramente no sentimento enganoso de bem estar com o Divino, enfim, difícil mesmo é encontrar aquela igreja que reúne todas as ordenanças de Jesus, que manda aos discípulos pregar o evangelho, sem, no entanto, negligenciar a fé, que é a única forma de agradar a Deus (Hebreus 11).

Um verdadeiro cristão é aquele que não levanta nenhuma bandeira religiosa, mas pratica a verdadeira fé, conforme ensina Jesus "Meus irmãos, que proveito há se alguém disser que tem fé, mas não tem tem obras?" "Poderá semelhante fé salvá-lo?" (Tiago 2:14), veja que o relacionamento com o Divino é muito maior que apenas frequentar uma determinada religião, a tolerância sempre prevalece junto aos irmãos aderentes de outras crenças, sendo que o investimento e energia de convencimento não estão nos lábios ou nas letras frias, mas na demonstração das obras resultantes de uma crença branda, eficaz e saudável, conforme ensina o Prof. Pierre Bourdieu "os circuitos de consagração social serão tanto mais eficazes quanto maior a distancia social do objeto consagrado".

O circuito utilizado de consagração social significa o “muito falar, sem, no entanto mostrar” que não será eficaz quanto à capacidade de convencimento da demonstração das obras provenientes da fé que é o objeto consagrado.

A discussão sobre a pratica atual da fé, conforme os antigos, é complexa e cheio de resquícios históricos proveniente do iluminismo que acabou distanciando os crentes das indagações racionais sobre a inteligência da palavra divina. Fato é que, se partirmos do pressuposto da existência do Divino, não é difícil constatar que a comunicação de muitos religiosos com os céus parece não surtir muito efeito até o momento. Desesperam-se, ainda mais, com a insatisfação tomada de assalto quando se pensam estar imunes as coisas da vida que continuam os afetando, somado ao sentimento desconfortável que se perpetua na superfície terrena. Portanto, é inconcebível, continuar elevando a mente ao alto, sem no entanto, afastar do seu íntimo a adoração escondida do brilho mundano e seus pés do chão sujo que tanto os prejudicam.


Principais filósofos iluministas

Os principais filósofos do Iluminismo foram: John Locke (1632-1704), ele acreditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo através do empirismo; Voltaire (1694-1778), ele defendia a liberdade de pensamento e não poupava crítica a intolerância religiosa; Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), ele defendia a ideia de um estado democrático que garanta igualdade para todos; Montesquieu (1689-1755), ele defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond d´Alembert (1717-1783), juntos organizaram uma enciclopédia que reunia conhecimentos e pensamentos filosóficos da época.