Por Robson de Andrade Neves
Advogado em São Paulo, Pós-Graduado em Direito Constitucional e Administrativo, Palestrante e Membro da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos Advogados em São Paulo.
Advogado em São Paulo, Pós-Graduado em Direito Constitucional e Administrativo, Palestrante e Membro da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos Advogados em São Paulo.
Muitos se digladiam em debates teológicos
acerca de qual seria o compêndio de ensinamento para o cristão moderno depois
do Novo Testamento.
Uns afirmam que toda a bíblia
deve ser observada e que o Novo Testamento não anula o Velho Testamento; que as
leis e mandamentos de Deus não foram abolidos por Jesus; outros ainda afirmam
que se deve observar apenas o Novo Testamento como regra de fé e salvação,
enfim, são diversas as teses, das quais, nenhuma, na minha concepção, aproxima-se
daquela que mais se harmoniza teologicamente com toda a escritura, a de que
Jesus é o único intérprete da lei. Entenderão mais adiante.
Todos os que viveram na regência do
Antigo Testamento deviam observância às leis e mandamentos de forma a se orientar
sobre o comportamento que deveria ser adotado nos mais diversos acontecimentos da vida cotidiana. Eram 613 mandamentos ao todo, positivos e negativos, incluindo o
decálogo, que de acordo com o judaísmo constavam do Torá (os cinco livros de
Moisés).
A ordem de que o povo deveria
observar as leis e mandamentos a fim de se justificarem foi dada pelo próprio Deus, senão vejamos: “Vocês terão a mesma lei para o estrangeiro e
para o natural da terra. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês".(Levítico
24:22).
E assim Moisés também ensinava ao
povo: "Eu ensinei a vocês decretos e
leis, como me ordenou o Senhor, o meu Deus, para que sejam cumpridos na terra
na qual vocês estão entrando para dela tomar posse.” (Deuteronômio 4:5). Ainda,
nesse mesmo sentido: “E, se nós
nos aplicarmos a obedecer a toda esta lei perante o Senhor, o nosso Deus,
conforme ele nos ordenou, esta será a nossa justiça”. (Deuteronômio 6:25).
Bom, até aqui não restam dúvidas
sobre o império das leis e mandamentos sobre o povo de Israel no Antigo Testamento,
que tinham como justiça cumpri-las, conforme respaldo da literalidade dos
textos apresentados em linhas anteriores.
Então houve o desenvolvimento da
estória e do povo de Israel e, por volta do inicio do primeiro século (Mateus
2:1), nasce o “Cristo”, denominado “Jesus” pelos cristãos, pela crença de que
Ele é o messias da bíblia hebraica.
Cerca de 30 anos de idade, Jesus então é
legitimado pelo próprio Deus para pregar a Sua palavra ao povo de Israel, essa
solenidade espiritual consta do livro de (Lucas 3:21 a 23), a saber: “Quando todo o povo havia recebido o
batismo, tendo sido Jesus também batizado e estando a orar, o céu abriu-se, e o
Espírito Santo desceu como pomba sobre ele em forma corpórea, e veio uma voz do
céu: Tu és o meu Filho dileto, em ti me agrado. Ora o mesmo Jesus, ao começar o
seu ministério, tinha cerca de trinta anos, sendo filho (como se julgava) de
José, filho de Heli.”
A finalidade e a justificativa da
vinda de Jesus é outro tema bastante debatido, pois se as leis e mandamentos
eram bons, por qual razão Deus sacrificou o seu único filho para, novamente,
renovar a aliança com seu povo e resgatá-los da perdição? Será que as leis e os
mandamentos não foram suficientes para salvá-los?
Em certa ocasião, os apóstolos Paulo
e Barnabé tiveram uma grande discussão sobre a forma que deveriam evangelizar o
povo, se deveriam ensinar a circuncisão e a observância da lei ou apenas o que
Jesus ensinou, parece uma tremenda contradição, pois como dizer que Jesus
ensinou outra coisa que não o que estava escrito nas leis e mandamentos? Como
poderiam estar discutindo o que ensinar e como ensinar se Jesus ensinou tão
somente aquilo que todos já sabiam? Em (Atos 15:1 e ss) o apóstolo Pedro nos dá
uma leve noção das razões da discussão e, na mesma ocasião, chancela a primeira ata
da Igreja de Cristo, vejamos:
“E, havendo grande contenda,
levantou-se Pedro e disse-lhes: Homens irmãos, bem sabeis que já há muito
tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a
palavra do evangelho, e cressem. E Deus, que conhece os corações, lhes deu
testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós; E não fez
diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo
sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos
suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo,
como eles também. Então toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a
Paulo, que contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio
deles entre os gentios.” (Atos 15:7-12).
Bom, parece que as razões da
vinda de Jesus estão bem claras no texto acima. Os antigos não puderam cumprir
com o “JULGO”, diga-se, mandamentos e leis estabelecidos para a justificação do
povo de Israel.
Mas então Jesus veio para abolir
os mandamentos e as leis estabelecidos anteriormente por Deus? É o que parece
no discurso do apóstolo Pedro e, aqui, está um tremendo erro cometido por
muitos de contextualização do evangelho ensinado por Jesus, pois Ele mesmo
afirma que veio para cumpri-los. “Não
penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para
cumprir." (Mateus 5,17.18).
Bom, conforme demonstrado, Imperioso
salientar que Jesus foi LEGITIMADO pelo próprio Deus para ensinar o seu povo, assim,
todos os mandamentos e leis, de ordem morais e postas, necessariamente
passariam pelo Seu crivo, com o objetivo de efetivamente INTERPRETÁ-LOS a fim
de que o seu povo viesse a cumprir o que Deus então havia ordenado anteriormente.
Ocorre que muitos ministros
religiosos, sem a devida observância dessa revelação, ainda continuam ensinando
a Igreja como se Jesus e o Novo Testamento nunca tivessem existido, tal fato é
percebido quando a palavra de Deus é interpretada ainda de forma retrógrada e quando analogamente sem a devida
indicação de que Jesus ratificou tal entendimento no seu evangelho.
Todos aqueles que abrem o Velho Testamento
para ensinamento da Igreja atual ou para se alimentar espiritualmente, sem, no
entanto, encontrar o respectivo entendimento de Jesus no Novo Testamento,
incorre em grave erro de interpretação, de proporções trágicas imensuráveis.
As leis e mandamentos, por tanto,
não foram revogados ou anulados por Jesus, mas interpretados corretamente para que
o povo de Israel as cumprissem, não obstante, muitos ainda não têm fé para creem, pois
incorre em mudança de comportamento que, para muitos, é inconcebível face os
dogmas aprendidos.
Veja que o próprio Deus determina que se
ouça somente a Jesus, pois somente Ele é capaz de ensinar todos os mandamentos e
leis em forma de conselhos para a Igreja, composta pela maioria de gentios, conforme observado nos apontamentos abaixo:
(Mateus 17) “1 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e
João e os levou, em particular, a um alto monte. 2 E foi transfigurado diante
deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se
brancas como a luz. 3 E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com
ele. 4 Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres,
farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias. 5
Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem,
uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. “
Nessa passagem, podemos observar a representatividade do Velho Testamento na pessoa de Moisés e Elias, aquele representando a lei e este representando as profecias. Pedro, emocionado e levado pelos sentimentos queria montar tendas para ambos com o objetivo claro de ouvi-los, mas uma voz intrépida veio dos céus, do próprio Deus, determinando que se ouvisse somente a Jesus.
Fica claro, portanto, que a
interpretação e o compêndio de ensinamento da Igreja somente podem ser aprendidos
em Jesus, o velho testamento também deve ser observado, pois também não foi
anulado por Jesus, mas com o objetivo apenas de nos espelharmos e nos
encorajarmos nos antigos para a pratica da fé, os quais foram bem sucedidos em
tudo que fizeram, conforme (Hebreus 13:7) “Lembrem-se
dos seus líderes, que transmitiram a palavra de Deus a vocês. Observem bem o
resultado da vida que tiveram e imitem a sua fé.”
Assim, toda a palavra de fato é
inspirada por Deus, sendo ela transmitida de várias formas ao seu povo e, por
último, por Jesus, o qual tem toda legitimidade para interpretá-la e ensiná-la
e, o que passar do entendimento por Ele ensinado, resulta em heresias e
religiosidade, conforme pode ser observado do livro de (Hebreus 1:1), a saber: “1 Há muito tempo Deus falou muitas vezes e
de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, 2 mas nestes últimos dias falou-nos por
meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de
quem fez o universo.”
Além disso, é ensinado que toda
doutrina da Igreja deve ser aprendida nos ensinamentos dos apóstolos, mártires
de Jesus, senão vejamos: “41 Os que
aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca
de três mil pessoas. 42 Eles se dedicavam a doutrina dos apóstolos e à
comunhão, ao partir do pão e às orações.” (Atos 2:36 e ss).

Todos aqueles que abrem o Velho Testamento para ensinamento da Igreja atual ou para se alimentar espiritualmente, sem, no entanto, encontrar o respectivo entendimento de Jesus no Novo Testamento, incorre em grave erro de interpretação, de proporções trágicas imensuráveis.
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